Hoje acordei, abri as persianas e deparei-me com o cenário mais deprimente que pode existir quando tens à tua frente um dia cheio de trabalho chato e pouco reconfortante: o céu completamente cinzento (e do escuro!). Logo hoje, que depois do "trabalho/estudo" ia dar uma voltinha para ver o que se passa de novo nos bares. Confesso que não sou uma rapariga da noite. Gosto mais de ficar em casa, embrulhada numa manta a ver TV, a beber chá e a comer bolinhos (ultimamente, devido aos meus quilinhos a mais, tenho deixado os bolinhos e afins de parte). No entanto, de vez em quando, há que sucumbir às exigências actuais e socializar um pouco.
Bem, mas voltando ao assunto principal: a cor pouco convidativa do céu. É claro que nos tempos que correm é bom sinal. Depois da seca que se está a verificar pelo país todo, era bom que caíssem umas gotinhas de água. Mas como até o São Pedro está em crise, não sei se não será céu de pouca dura, sem grandes consequências a longo prazo.
Atrelado ao mood geral do dia de hoje, veio um e-mail da minha mãe. A dita senhora gosta muito de reencaminhar aqueles power points "Tens um amigo em mim" ou "Como ser feliz", que no fim diz que se o enviarmos a x números de pessoas vamos ter boas notícias em x minutos. Contudo, hoje quebrou o hábito. O texto é, segundo dizem, do escritor Mia Couto, o assunto a geração à rasca e o título "Um dia isto tinha que acontecer". No fundo, é uma crítica a nós, filhos privilegiados de quem conseguiu elevar o seu nível de vida, e aos nosso pais, que com essa mudança nos mimaram e estragaram, criando uma geração de jovens com pouca resistência à frustração. E como ando numa fase de introspecção, pus-me a pensar no assunto. Será que é por isso que sinto tanta aversão em relação ao curso que escolhi? Será que tenho dificuldade em aceitar que me meti em algo de que não gosto e que agora só tenho que o gramar? Ou será que é puro capricho pensar que não gosto do que estudo? Será que todas as minhas dúvidas são fruto da educação que tive? Claro que não quero com isto culpabilizar os meus pais pelas minhas indecisões e falta de motivação, apenas estou a tentar compreender o que se passa comigo para um dia mais tarde (num futuro próximo, espero) o conseguir resolver. Penso que são dúvidas pertinentes, mas será que, como a minha própria mãe me disse, "tu pensas demais"? Fica a interrogação...
J
P.S. - Se estiverem interessados em ler o texto, podem encontrá-lo neste site: http://www.citador.pt/buzz/dia-isto-tinha-que-acontecer-por-mia-couto-reflexao-nao-apenas-para-mim-nao-2626332232006 . Mas talvez existam outros.
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